Arquivo da categoria ‘Artes

O sonho de Collen Moore   Leave a comment

 

por AldaizAzevedo

O maior sonho de Colleen Moore, estrela do cinema mudo, sempre foi o mesmo das crianças e também de muitos adultos, como um hobby prazeroso. Fascinada por bonecas, ela possuía várias casas de bonecas, muitas elaboradas por ela quando criança. Charles Morrison, seu pai, sugeriu que ela prosseguisse na sua paixão por miniaturas e casas de bonecas, criando a "Casa de bonecas" dos seus sonhos. Sua posição, como uma das atrizes mais populares de Hollywood, deu-lhe os recursos necessários para construir uma casa em miniatura de proporções fantásticas,

fairy_castle_colleen_moore

Em 1935 resolve fazer algo mais amplo com toda beleza que já experimentara antes, criando o seu “Castelo de fadas”.Começando em 1928, Moore recorreu à ajuda de muitos profissionais talentosos para ajudá-la a realizar sua visão.Uma terapia que lhe ajudou a sair de uma depressão. Após a fase de montagem, seu trabalho acabou em uma turnê, que foi um sucesso enorme, conseguindo arrecadar na época (entre 1935 e 1939) mais de 650.000 dólares, que reverteu em doações para Instituições de caridade. A brochura da feira, em Chicago promove o "Castelo de Fadas" e em 1949, passou a ter sua sede permanente no Museu de Ciência e Indústria. O Castelo de fadas é exibido atrás de um vidro, sendo a luz, temperatura e umidade em seu ambiente cuidadosamente controladas para garantir que os artefatos sejam preservados para as gerações vindouras. Milhões de pessoas têm, desde de então, desfrutado da visita ao castelo, uma vez que, chegou pela primeira vez no Museu, e continua a ser um lembrete eterno da imaginação, criatividade e habilidade de culturas e artesãos de todo o mundo.

article-0-1B15D51D000005DC-865_964x642

Fonte – http://www.msichicago.org/whats-here/exhibits/fairycastle/


Anúncios

Publicado 01/08/2013 por AldaizAzevedo em Artes, Cultura, curiosidades em arte, Museu

((( A importância da imagem no cotidiano – 2 )))   Leave a comment

Imagem e identidade

 

Outro sentido da palavra imagem se refere a uma representação mental de alguma coisa, de uma impressão, lembrança. A imagem aí é correlata do olho, portal do coração para o mundo.

 

A imagem, neste caso, faz parte do pensamento, está presente na formação de idéias e na figuração de sentimentos que, juntos, constroem a identidade individual e familiar, as identidades locais, regionais, nacionais. As imagens entram na formação de referências. São imagens ou seqüências de imagens que possuem significação especial. Vejamos como isto se forma:

a) Imagem e pensamento

O pensamento é uma atividade psíquica contínua e utiliza imagens retidas pela percepção para construir complexos significativos que se transformam em idéias. Em várias etapas deste processo, imagens representativas de coisas, pessoas, momentos, aspectos, partes, se agregam a emoções ou sentimentos. Muitas vezes são imagens pouco precisas, mas que possuem uma significação consistente. Muitas vezes, um pensamento é constituído apenas de associações de imagens que formam um novo sentido em um novo encadeado. Pensar não é apenas o pensamento pensado, isto é o raciocínio. Compreender é pensar, perceber é pensar, reagir é pensar. No limite entre o intuitivo e o reflexivo, pensamos. E dentro de todos estes processos, existem imagens compondo idéias, imagens construindo conceitos, aglomerados de imagens criando parâmetros para identificar coisas da realidade.

b) Auto-imagem

A imagem que uma pessoa faz de si mesma é absolutamente essencial para a compreensão desta pessoa. A auto-imagem é formada da mesma maneira que descrevemos acima, apenas incorporando referências de comportamentos e habilidades construídas dentro da família e do ambiente da infância e reforçadas na adolescência. Esta auto-imagem é um complexo sutil e mutante de referências em que se misturam o que eu gostaria de ser com o que imagino ser e com o que eu deveria ser. Sempre, nestes processos, é constante a presença de imagens mescladas a emoções e sentimentos, além de uma valoração moral. Estas imagens, muitas vezes, se referem a pessoas e/ou situações conhecidas e reconhecidas pela sociedade ambiente.

c) Imaginário

A capacidade que o ser humano possui de construir referências através de imagens e a respeito de todo o seu ser, incluindo a totalidade do cosmo, a compreensão do nascimento do mundo, da morte, dos limites do conhecível e toda a linha de transmissão de saberes que fundam uma cultura particular é chamada de imaginário. Este nome indica o reconhecimento de que o ser humano utiliza uma rede de imagens que estão presentes em todos os seres humanos de um determinado grupo, formando uma experiência coletiva comum, que funciona como leitura do mundo, referência do real. Assim como a linguagem, o imaginário representa um reservatório comum a povos inteiros é formado por uma rede sutil e sináptica de referências com significação. É importante dizer que as imagens são como células desta capacidade, o imaginário.

Publicado 01/02/2009 por AldaizAzevedo em Artes

Um redirecionamento para as emoções   2 comments

 

Sentir, pensar e educar.

 

Por : Maria Cândida  Moraes

 

 O   sentir e o pensar são duas formas complementares de se perceber e interpretar a realidade. Uma envolvendo o âmbito cognitivo e a outra o afetivo-emocional. Ambas convergem em direção ao mesmo ato de conhecer. Assim, o sentir, o pensar e o agir traduzem diferentes dimensões da identidade humana, revelando, assim, a complexidade de sua natureza.Biologicamente falando, o sentir e o pensar estão entrelaçados, enredados, um no outro. No ato de conhecer a realidade, pensamentos, sentimentos, emoções e ações estão entrelaçados e gerando uma dinâmica processual que expressa a inteireza humana. Nossa maneira de ser e de atuar expressa esta tessitura comum que existe entre o sentir, o pensar e o agir.A biologia nos ensina que não é a razão que nos leva à ação, mas, sim, a emoção. Observando cada ação é possível reconhecer a emoção que lhe está subjacente. É isto que Maturana nos ensina ao dizer que “se você quiser conhecer a emoção, observe a ação e se quiser conhecer a ação, veja a emoção” (1995:248) .A emoção não se expressa somente falando, vive-se também com todo o corpo. É o fluir das emoções que modela o nosso dia a dia e tudo aquilo que realizamos. Em nosso cotidiano, fluímos de uma emoção à outra. Tanto o pensar como o agir ocorrem no espaço determinado pelas emoções que circula, sinalizando que a razão tem por base fundacional a emoção.Assim, o fluir de uma emoção à outra define o espaço operacional em que atuamos e a qualidade de nossas ações e reflexões. Por outro lado, a biologia também nos ensina que as emoções fluem de acordo com as circunstâncias que nos envolvem. Circunstâncias, estas, que constituem um campo energético e vibracional que modela o operar de nossas inteligências e abrem caminhos para novas reflexões e ações. Circunstâncias geradoras de emoções positivas que potencializam a alegria e o prazer em aprender estimulam o aprendiz a refletir e a agir de maneira mais positiva e concentrada. Os ambientes educacionais são espaços de ações e reflexões fundados nas emoções e nos sentimentos que circulam, gerados na convivência de uns com os outros. São ambientes em que nos transformamos de acordo com o fluir de nossas emoções, de nossos pensamentos e sentimentos. Enfim, de acordo com o fluir do nosso sentipensar. Daí a importância do clima gerado nos ambientes de aprendizagem, dascircunstâncias ótimas criadas, da consciência das emoções e correntes vitais que circulam e que influenciam a qualidade das ações, reflexões e diálogos que acontecem nesses ambientes. Daí também a importância de certos momentos em nossas vidas, que configuram campos energéticos diferentes e que possuem natureza irreversível.

 

Assim, educar para sentipensar é configurar um espaço agradável deconvivência; É cultivar um espaço amoroso e não competitivo, gerado na aceitação do outro em seu legitimo outro. Educar para sentipensar é criar circunstâncias que potencializam enriqueçam a capacidade de ação e de reflexão do sujeito aprendente. É formar o outro no caminho do amor, da solidariedade, da aceitação do outro, do compromisso com a tarefa e o entusiasmo pela ação que está sendo desenvolvida. É educar em valores universais, em atitude crítico-construtiva e em espírito criativo. É educar o outro na justiça e na solidariedade; é formar na ética e na integridade. É educar não somente para o desenvolvimento das inteligências e da personalidade, mas, sobretudo, para a “escuta do sentimento’ e a ‘’abertura do coração”. É educar para a evolução da consciência e do espírito. É reconhecer a multidimensionalidade do ser. É compreender a importância de se aprender a equilibrar o corpo, libertar a mente e abrir o coração. É conspirar a favor da inteireza humana; é fazer justiça ao todo que somos nós.

 

 

Publicado 14/01/2009 por AldaizAzevedo em Artes

Para que serve a Arte na Educação?   Leave a comment


Ana Mae Barbosa

 

Para possibilitar o acesso à Cultura e para tornar as pessoas mais inteligentes. Vejamos a primeira afirmação. Em um país como o Brasil onde a arte é pouco divulgada (com exceção da música popular e do cinema) de que forma um cidadão pode desfrutar de seu direito de acesso à cultura? Não só é pouco divulgada como, em geral, quando é divulgada isso é feito em linguagem hermética. A internet tem democratizado o acesso a museus e exposições e tem dado visibilidade a trabalhos de muitos artistas, mas ainda não confere reconhecimento ao artista. Para alguém ser reconhecido como artista é necessário participar de exposições em museus, bienais, galerias, sair na Bravo, etc. Enfim, ser abençoado por algum curador. É com os curadores que está o poder de designar alguém como artista. A maioria deles é homem, vem das classes altas e é agente nacional do código hegemônico europeu e norte-americano branco.

Quantas mulheres já foram curadoras da Bienal? Rigorosamente, duas que quiseram inovar, fizeram um trabalho coerente com suas teorias e foram massacradas pelos críticos homens. A administração das Artes vive nas trevas no Brasil. Novamente meu termômetro é a Bienal de São Paulo, em que foi reeleito um presidente depois de surgirem dúvidas sobre seu procedimento ético. Quem elegeu foi um conselho de ricos, pois o Conselho da Bienal se transformou em escada social para novos ricos, ou melhor, um meio de aparecerem na Revista Caras. A proposta curatorial salvadora da próxima Bienal é isomórfica: um retorno, fora de lugar, ao conceitualismo movido por oportunismo. Tudo isto com dinheiro do Governo, o meu e o seu imposto, porque os ricos do Conselho não abrem a bolsinha.

O que já tem sido feito para melhorar o acesso à arte para a grande massa? E o que ainda pode ser feito? Nos últimos anos, os museus, centros culturais e mega-exposições têm se preocupado em criar departamentos educacionais, contratando educadores para facilitar a mediação entre Arte e Público. A qualidade é variável e o empenho também. Muitas vezes, o educativo existe na instituição para trazer público, para inflar a estatística, para mostrar ao patrocinador que numerosas pessoas viram a exposição. Em geral, reside aí o empenho em trazer levas de escolares às Bienais de Arte e do Livro.

Outras instituições realmente se interessam em dar acesso à Arte a todas as classes sociais. Quando dirigi o MAC/USP fui criticada por dar ênfase ao educativo quando só o Museu Lasar Segall e o próprio MAC investiam na Arte/Educação. O trabalho foi tão frutífero que operou uma transformação no ensino da Arte nas escolas de todo o Brasil e trouxe a imagem da Arte para a sala de aula. A ampliação do educativo das instituições de Arte, a pesquisa para verificar os resultados da ação, a análise e sistematização a partir de publicações são iniciativas que ajudariam na descoberta de outras possibilidades. Principalmente, nos ajudariam a analisar que tipo de mediação praticamos nos muitos museus do Brasil, e com que conceitos de cultura estamos operando. Queremos convencer que os valores da burguesia são verdades imutáveis ou queremos que cada pessoa, independente do grupo cultural a que pertence, seja capaz de formular valores estéticos? Somos convencionais, populistas, messiânicos ou construtores de significados? Há de tudo isto nos educativos de museus e centros culturais no Brasil e há excelentes trabalhos que constroem diálogos entre a Arte, a Cultura e a Subjetividade dos observadores. Um país só pode ser considerado culturalmente desenvolvido se tiver uma produção de alta qualidade e uma compreensão desta produção também de alta qualidade. No Brasil, precisamos democratizar a compreensão da Arte e da Cultura.

Resta-me agora argumentar que a Arte torna a pessoa mais inteligente. Para isto recorrerei à consistente metapesquisa de James Catterrall, Critical Links: Learning in the Arts and Student Social and Academic Development. O pesquisador da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, examinou mais de 60 pesquisas acerca da contribuição das Artes para a educação de crianças de cinco anos até a adolescência. O maior número de estudos se refere à contribuição da música, seguido pelo teatro. Infelizmente, Catterrall encontrou apenas quatro estudos demonstrando a importância das Artes Visuais para o desenvolvimento da capacidade de aprender outras disciplinas. Foi no campo de investigações sobre o raciocínio espacial que Catterrall encontrou quase 300 estudos científicos nos quais podemos nos basear para defender a idéia de que as Artes Visuais desenvolvem o raciocínio espacial e, a partir dele, também desenvolvem habilidades específicas para ler, escrever e falar a linguagem verbal. Precisamos de mais pesquisas em relação ao papel das Artes Visuais na qualidade da performance acadêmica dos alunos.

A grande ênfase na importância do ensino das artes para o desenvolvimento dos processos de cognição – não só em Arte mas em todas as áreas de conhecimento – se deve aos resultados de uma pesquisa norte-americana que mostrou que, por uma década, os alunos que obtiveram os dez primeiros lugares nos exames equivalentes ao ENEM no Brasil haviam cursado pelo menos duas disciplinas de Arte. Enquanto nos Estados Unidos, os alunos do ensino médio escolhem as disciplinas que vão cursar, no Brasil não há liberdade de escolha e o currículo parece prescrição médica. Portanto, nem se poderia fazer uma pesquisa destas por aqui. A pesquisa americana despertou o interesse dos pesquisadores em demonstrar as possibilidades de transferência de aprendizagem, quando a Arte é aprendida mobilizando-se processos cognitivos, da imaginação ao planejamento.

A pesquisa Artes Visuais : da exposição à sala de aula comprova que os professores que buscam os museus e centro culturais como laboratórios de pesquisa visual para seus alunos o fazem sabendo da importância da Arte para o desenvolvimento dos processos cognitivos em geral. Foi esta convicção que os levou a conseguir adesão dos colegas de história, português, matemática, informática para trabalhar interdisciplinarmente a partir das Artes Visuais. Eles reafirmaram a eficiência da Arte para desenvolver formas sutis de pensar, diferenciar, comparar, generalizar, interpretar, conceber possibilidades, construir, formular hipóteses e decifrar metáforas.

Rudolf Arnheim foi um dos expoentes da idéia de Arte para o desenvolvimento da Cognição. Sua concepção se baseia na equivalência configuracional entre percepção e cognição. Para ele perceber é conhecer. Ulric Neisser e Nelson Goodman colaboraram com esta visão. Arrisco a afirmar que o Projeto ZERO que Goodman iniciou e financiou pessoalmente foi a maior fonte de pesquisas sobre a Cognição em Arte e a Cognição através da Arte.

Arte depende de julgamento e obriga a poucas regras que precisam ser conhecidas antes de se ousar desafiá-las. Estas regras são para Arnheim a gramática visual subjacente a todas as operações envolvidas na cognição como recepção, estocagem e processamento de informação, percepção sensorial, memória, pensamento, aprendizagem, etc. Acusado de formalista no início dos anos oitenta, na efervescência do Pós-Modernismo, Arnheim vem sendo recuperado pelos cognitivistas pois sua gramática visual não se comprazia apenas na forma, mas derivava de uma negociação contextual mental e se dirigia ao contexto perceptual. A princípio, se trabalhava a percepção desta gramática visual só a partir da percepção do mundo fenomênico. Nos anos 80, precisamente a partir de 1983 (Festival de Inverno de Campos do Jordão), o esforço cognitivo de apreender a imagem da Arte ampliou o campo de ação do ensino da Arte, da percepção visual, da interpretação da linguagem visual a partir da cultura que a produziu. A imagem produzida por artistas entrou na escola para ampliar o sentido cognitivo da Arte.

Cognição é o processo pelo qual o organismo se torna consciente de seu meio ambiente. A Educação promovida pelas ONGs democráticas, de gestão comunitária, nos alertam acerca da importância da arte para a tolerância à ambigüidade e a exploração de múltiplos sentidos e significações. Esta dubiedade da Arte a torna valiosa na Educação. Arte não tem certo e errado. Tem o mais ou o menos adequado, o mais ou o menos significativo, o mais ou o menos inventivo. Nós todos que trabalhamos com Arte seriamos menos inteligentes se estivéssemos longe Dela.

Ana Mae Barbosa é Professora Titular aposentada da USP, onde atua no Doutorado em Arte/Educação na ECA. Mae também é consultora do Canal Futura e da área de Formação da Petrobrás Cultural. Foi presidente da International Society of Education through Art (90-93) e Diretora do Museu de Arte Contemporânea da USP (87-93). Publicou 19 livros sobre Arte e Arte/Educacão, entre eles Arte/Educação Contemporânea (Cortez, 2006) e Artes Visuais : da exposição à sala de aula (com Rejane Coutinho e Heloisa M Sales .EDUSP, 2005). E recebeu prêmios como o Grande Prêmio de Crítica da APCA e o prêmio Edwin Ziegfeld nos Estados Unidos.

http://www.democratizacaocultural.com.br/Conhecimento/Artigos/Paginas/080124_ana_mae.aspx

Publicado 14/01/2009 por AldaizAzevedo em Artes